Dany Dhen

dança • design • comunicação cultural

O mundo virou 180º. E agora, pra onde ir?

Práticas de desenvolvimento humano e coaching estão em alta. E por quê não aplicá-las para o desenvolvimento do seu projeto/negócio?

planejamento

Mais um ano começa, como esse mesmo espaço em branco que tenho diante de mim agora: um campo cheio de possibilidades que nos enche de gratidão por estarmos vivos e com capacidades de criação, ao mesmo tempo em que nos desorientamos, muitas vezes, sem saber por onde e como começar.

Pensar em preencher este espaço da melhor forma possível, são os votos que compartilhamos com todos à nossa volta, bem como, tempo oportuno de renovação interna para realinhamento de nossos objetivos na busca de cumprir o nosso papel como filhos, irmãos, pais, líderes, cuidadores, educadores, médicos, empreendedores, artistas …

Vale pra vida!

Assim como o coaching e as práticas de desenvolvimento humano conseguem aplicar teorias e ferramentas para dissolver emaranhados psíquicos e realinhar a postura das pessoas com relação ao seu comportamento, existem também modelos e práticas que nos convidam a olhar e a mergulhar mais fundo em nossos projetos a fim de lançar nas redes de interação e comunicação, produtos e serviços que expressem o nosso olhar singular perante um assunto. Para tal, precisamos nos organizar para viabilizar e “materializar” essa ideia. Por mais que tudo já esteja “pronto” em nossa mente, sabemos o quão cada pequeno/grande projeto nos exige investir uma série de recursos como tempo, mão de obra, dinheiro.

O que precisa sair da gaveta?

Realizar e lançar algo, prevê um planejamento – precisamos conhecer que “lugar é esse” para então construir a estrada, encontrar a melhor via, o melhor meio para chegar no ponto de destino e entregar ao mundo a nossa ideia, vivenciá-la. É um processo lógico que segue um cronologismo.

Em nossa mente, tudo é possível e acontece em segundos. Mas viabilizar uma ideia exige tempo, criatividade, dedicação, muitas vezes, dinheiro e claro, planejamento: quem são as pessoas que participam desse projeto? Em quanto tempo ele será desenvolvido? Quais são os materiais necessários? Você consegue parcerias? Quais são as etapas e quem faz o quê?

Provavelmente você já ouviu que a ação de planejar um projeto pode ser associada a uma viagem: você começa a fazer pesquisas sobre o lugar, marcar hoteis, comprar passagens… uma série de ações antecipadas que vão te preparar para realizar uma ação futura. E isso por quê? Para evitar improvisos, melhorar o custo x benefício e claro, a sua experiência. E se você já teve perrengue em viagens, sabe muito bem que, mesmo tudo planejado, ainda assim estamos susceptíveis a acontecimentos inesperados que nos exigem muita criatividade e resiliência. Estar precavida(o) nestes cenários pode ser determinante para “salvar” o seu projeto; e é por isso que existem ferramentas e hacks que nos propõem imaginar diferentes situações para estar preparada (o) para tirar as pedras do caminho.

Linha motora do projeto: o planejamento

Um evento é um acontecimento. Para além de uma festa, um churrasco, um aniversário, evento é também o produto final do seu projeto, que seja aí o lançamento de um portal ou curso, a publicação de um livro, uma aula, um show, etc. Todos esses processos, envolvem à sua maneira, um nível de planejamento até que se chegue na etapa “final” de entrega, compartilhamento, publicização, usufruto.

O planejamento é o core de um projeto. É com ele que o sucesso gosta de andar – considerando sucesso não só a realização do evento, mas todo o processo até o momento da pós-produção ou conclusão do projeto.

Antes de compartilhar um passo-a-passo, gostaria de te convidar a imaginar uma viagem que você queira muito fazer. O que você precisa fazer antes de realizar essa viagem? O que, geralmente, você costuma fazer durante essa viagem? E depois da viagem, como se sente?

Com isso em mente, reorganize as palavras abaixo na ordem que faça sentido para você utilizar esse modelo para planejar essa sua viagem:

Diagnósticomomento de conhecer o território
Tabela com ações (des)organizadas que compõem um planejamento

Como ficou a sua ordem? (Se sentir à vontade em compartilhar, use o espaço dos comentários.)

O negócio é: vá construindo seu projeto seguindo o que lhe parecer mais lógico. Acredito que, o simples fato de respeitarmos a nossa forma de pensar e processar informação, já nos dá um impulso maior para desenvolver esse processo extraindo ao máximo a nossa capacidade criativa. Importante ter em mente que, quanto mais pessoas participam na construção de um projeto, mais complexo é o processo, mas também, muito mais rico e diverso.

Mini-guia para te ajudar a planejar

Abaixo, compartilho com vocês um esquema que me parece mais lógico. Na verdade eu vou e volto em cada item… não sigo uma ordem linear. Sugiro também algumas ferramentas úteis para potencializar a diversidade, para amenizar os riscos e para ousar encontrar ideias inovadoras para o sucesso do seu projeto sócio-cultural ou mesmo pessoal:

  1. Ideia


O que fazer? Sobre o que falar? Para responder a essas questões, comece se perguntando: o que te motiva? Qual a sua habilidade? O que quer desenvolver/promover? O que a comunidade precisa? O que você quer provocar/oferecer para as pessoas?

Para te ajudar nesse processo:  

• lista da vida: liste tudo o que queira vivenciar e realizar em sua vida;

• resolva um problema: pesquise sobre demandas e problemas que comunidades ou um grupo de pessoas enfrentam e encontre, a partir disso, uma solução/proposta para ajudar a resolver ou minimizar o problema;

ideias em fluxo, o brainstorming: ligue o som com uma música que te ajude a encontrar um estado para fluição das ideias e anote, sem se importar se fazem sentido ou não, todas as palavras/ideias que forem surgindo na sua mente. Depois, agrupe todas as palavras em conjuntos semelhantes e e crie filtros até chegar em uma ideia que lhe pareça relevante.

  • briefing inicial: descreva, resumidamente, o que é o seu projeto/a sua ideia. Esse texto deve responder às famosas perguntas balizadoras 3QCPO (o quê, quem/com quem/pra quem, quando, como, por quê e onde), não necessariamente nessa ordem. Esse texto deve ser útil para se compreender todo o projeto. É uma síntese.

Você pode criar:

mapas mentais: ajudam a organizar as ideias e os elementos imprescindíveis para constar no briefing. Não há regra! Faça da forma que lhe seja mais orgânica: papel, canetas coloridas, ou post its, desenhos, etc.

2. Diagnóstico

Analise o contexto, explore o território. Pesquise sobre riscos, ameaças e oportunidades. Se questione: o momento é/está favorável para desenvolver minha ideia?

Sugestão de ferramenta:

SWOT/FOFA: já bem difundida mas nem sempre aplicada. A  ferramenta data dos anos 60 e 70, como resultado de pesquisa de dois estudantes norte-americanos. A ideia é resumir as informações em uma matriz para fácil visualização/percepção das ideias levantadas com referência às Forças e Fraquezas do ambiente interno (Strenghts/Weaknesses) e às Ameaças e Oportunidades do ambiente externo (Opportunities/Threats).

  • Objetivos: quais mudanças você quer gerar/provocar com o seu projeto? Quais problemas seu projeto visa sanar/amenizar? Quais os benefícios e vantagens com a sua realização?

Dicas

• Sempre inicie as frases com um verbo de ação no infinito. Ex.: oferecer, proporcionar, gerar, descobrir…

• Esses objetivos precisam ser: claros, específicos, alcançáveis e realistas.

Ferramenta:

Árvores de problemas e objetivos: integra uma metodologia chamada PRINCE2. Árvore de problemas:  Cria-se uma representação gráfica de uma árvore com a situação-problema (tronco), suas principais causas (raízes) e os impactos negativos (folhas). Árvore de objetivos: o objetivo central do projeto é o tronco, as raízes sãos os meios para alcançar esses objetivos e os galhos e folhas os benefícios gerados para o público-alvo.

  • Execução: é chegada a hora de responder o “como”, de forma mais detalhada. Cria-se um plano de ação com as tarefas organizadas em ordem de execução cronológica. Muitas dessas tarefas são as “metas”, ou seja, ações que precisam ser feitas para alcançar os objetivos propostos.

Ferramentas úteis:


• Cronograma: pode ser criado no excell ou até mesmo baixar modelos da internet ou aplicativos para este fim. Eu uso muito o asana, até mesmo para gerenciar minhas tarefas pessoais/profissionais. Outros apps bem úteis para gerir tarefas, prazos e funções: trello, slack, wunderlist, todoist, google agenda, klist e um app brasileiro, bem completo para planejamento, o scopi.

  • Controle Não é tanto uma fase do projeto mas uma ação constante que deve acompanhar todo o plano de ação. É, portanto, imprescindível fazer a gestão do orçamento e de todos os recursos humanos e temporais.

O que pode ser útil nessa fase:

• Planilhas de controle financeiro: controle orçamentário, fluxo de caixa, etc. Para lidar com assuntos de ordem fiscal e legal, a presença de um contador é sempre bem-vinda para garantir a transparência.

• Reuniões com a equipe para motivação, interação, exposição de ideias e críticas, acompanhamento, esclarecimentos, etc.

  • Registro Registre o processo de criação, mesmo que pareça não fazer sentido fotografar ou filmar o momento. Desenvolva o hábito de criar memórias. Além de serem materiais comprovativos, servem de histórico para rememorar acontecimentos que poderia ser esquecidos.

Ferramentas de foto e vídeo:

• Câmera de smartphones e filtros (efeitos) que valorizem a ideia/a identidade criativa do projeto;

• Drones: imagens aéreas captam ângulos únicos e por isso cenas, muitas vezes, bem impactantes que valorizam bastante a qualidade e o resultado final para compôr um histórico em foto ou vídeo.

• Go pro: câmeras de alta qualidade feitas para uso semi profissional indicadas para o público esportista e aventureiro. Equipamentos bastante úteis e versáteis para serem explorados também no meio cultural, de artes cênicas e performativas.

• Aplicativos de edição de foto e/ou vídeo: eu uso muito o fotoor para editar fotos; o clipchamp para editar vídeos simples e o première para produções mais personalizadas.

  • Aprendizado: depois de finalizado o seu projeto, é importante avaliar e conhecer também as percepções gerais de outras pessoas, que, de alguma forma, foram impactadas pelo projeto ou participaram dele (stakeholders).

Como fazer isso:

• Diário: registre uma solução que deu muito certo e principalmente o que deu de errado.

• Avaliação/questionários: crie oportunidades para que todas as pessoas envolvidas com o seu projeto, possam compartilhar o nível de satisfação delas. Esteja aberta/o a críticas. Analise essas informações e as utilize para melhorar em oportunidades futuras.

• Relatórios: crie um relatório ponderando o resultado final desta análise da percepção das pessoas. Os resultados foram obtidos? Metas cumpridas?

Enfim

O planejamento nos esclarece o caminho que vamos percorrer. Não é bola de cristal ou futurologia mas resultado da imaginação somada ao conhecimento, à pesquisa, à disciplina, à dedicação, à criatividade e à confiança compartilhada. Deu algo de errado? Tome como aprendizado e faça diferente da próxima vez. A prática é a nossa maior professora!

Desejo sucesso em seus projetos. Feliz realizações em 2021!

A maioria das pessoas não planeja fracassar, fracassa por não planejar. John L. Beckley

O mundo virou 180º. E agora, pra onde ir?

Práticas de desenvolvimento humano e coaching estão em alta. E por quê não aplicá-las para o desenvolvimento do seu projeto/negócio?